quarta-feira, 31 de março de 2010

Ouvi dizer

Um dia disseram-me que não havia explicação para o que eu fazia. Não havia explicação para este "toca e foge", este jogo do gato e do rato. Que me ia magoar. Que as coisas não iam correr bem. Que não te ia esquecer. Nunca. Porque parecias daqueles rapazes que quando ama, ama. E que não me ias esquecer. Porque um dia me amaste a sério. Porque se notava. E então se me amastes, ainda me amas. E que mesmo que eu queira continuar nesta loucura, que não vai dar resultado. Porque toda a gente junto a mim sente que ainda te amo, e ele também o há-de sentir. E tu também. Disseram-me que por mais que os meus neurónios me levassem a não te querer, todas as outras células do meu corpo chamavam por ti. Disseram-me que ainda pensava em ti, que ainda sonhava contigo, que me lembrava de ti a cada momento e daí muitas vezes dar por mim a chamar os meus amigos pelo teu nome. Disseram-me que nunca te ia esquecer, porque um ano depois quando falo para ti a minha voz ainda gagueja e as minhas pernas tremem. E que daqui a oitenta anos ia olhar para a pessoa ao meu lado e dizer "foi a opção certa", e quando te visse ia pensar "foi o amor da minha vida".

domingo, 28 de março de 2010

m de memórias

"Por mais que me esforçasse para não pensar nele, também não o tentava esquecer. Preocupava-me, - a adiantadas horas da noite, quando o cansaço da privação do sono vencia todas as minhas defesas - a possibilidade de tudo me escapar; de a minha mente funcionar como um filtro e, um dia, não ser capaz de recordar a cor dos olhos dele, o toque da sua pele fria ou a textura da sua voz. Não podia pensar nesses elementos, mas tinha de os recordar para sempre.
Isto porque só havia algo em que tinha de acreditar para conseguir viver: saber que ele existia. Mais nada. Conseguiria suportar tudo; desde que ele existisse."

sexta-feira, 12 de março de 2010

Hoje

Entraste sem autorização. Entraste e permaneceste em ficar, e deixaram-te ficar. Teimoso, o coração. Entraste por momentos. Entraste e criaste raízes. E hoje já não sei, se te quero ou não. Hoje já não sei se o meu coração bate por ti ou para ti. Hoje já não sei, nada. Nada que o tempo não levasse para trás. Hoje já não sei o nosso passado, o nosso presente. Hoje não te conheço. Hoje és para mim alguém que frequenta os mesmo lugares que eu. És alguém parecido a alguém que amei, alguém que me amou. Alguém que acolheu no seu coração quente as minhas mãos vazias. Alguém que me soube escutar. Alguém que cuidou de mim. Alguém que me fez sorrir. Alguém que me fez voar.
E quando olho para ti, só penso que és tão parecido com ele. Mas não és ele. Ele, não sei dele. Partiu sem me avisar, levando consigo o calor a que me habituara. Roubou as cores, os sorrisos. Tirou metade de mim, metade do que eu fui, metade do que eu era, metade do que eu seria. Quebrou as promessas, o amor. E tu, tu não tens culpa. Aliás, tens, por seres tão diferente e no entanto tão parecido. E porque, de qualquer maneira, cada vez que te vejo o meu coração bate por ti (ou para ti).